
Há dias que por um breve (as vezes longo) momento me sinto encurralada por meus próprios pensamentos, pensamentos os quais tento manter distante, mas inevitavelmente eles fazem uma visita. E durante essas visitas perco a vontade de ir contra a minha interna correnteza e considero me deixar levar pelos sentimentos que ela me causa.
Eu sei que não estou sozinha, inclusive não é difícil para eu me abrir com pessoas pŕoximas a mim, mas não tem sido o bastante, conversar tem ajudado por um curto período de tempo, mas eu não sei como lidar com a maré quando me encontro com ela novamente.
A verdade é que preciso me confrontar, eu sei que preciso fazer algo, mas não sei o que, nem como. Eu consigo entender a origem desses pensamentos e quais são os fatores causadores, mas eu não sei o que fazer quando chegam e muito menos me livrar deles, isso me frusta.
Eu sei que não estou sozinha, e isso parece ser justamente a grande causa de tudo. Cortar qualquer vínculo que exija de mim algum tipo de responsabilidade emocional, comigo ou com o outro, parece então a solução perfeita, afinal eu não mais precisaria lidar com as consequências que esse vínculo me trás, porém sei que é uma solução covarde, na verdade eu nem deveria considerar como uma solução, e sim o caminho mais fácil baseado no medo e na sensação de não saber o que fazer.
Como mero ser humano que sou, eu preciso estabelecer e manter vínculos com outros seres humanos, sejam estes vínculos amorosos ou não, e isso vai sim exigir de mim uma responsabilidade emocional, e mesmo que eu de fato escolhesse me distanciar de vínculos emocionais no geral, eventualmente me aproximaria de alguém e novamente chegaria nesse dilema, simplesmente porque não sou imune à sentir, não sou imune à pessoas.
Dito isso, a primeira coisa que está claro pra mim é que o problema não está nas relações, o problema está dentro de mim, e muito provavelmente relacionado ao meu controle emocional baseado na minha experiência emocional de vida. Não tem nada de errado em eu me sentir como me sinto, não há nada de errado em, durante um momento de desespero, considerar fugir de eu mesma, um problema maior seria se eu não conseguisse me trazer de volta à realidade, mas felizmente isso acontece.
O que devo fazer então? Eu sinceramente não sei, eu tento pensar em soluções palpáveis, não é como se eu nunca tivesse feito isso antes, muito pelo contrário, já me superei de diversas formas, mas ainda sim tenho muito medo, o suficiente para não conseguir botar em prática nenhuma das ideias que parecem boas.
Ignorar ou evitar a todo custo esses momentos não parece ser uma opção, minha mente e o que passeia por ela não é algo que tenho total controle. Eu acho que só me resta tentar bater de frente todo dia um pouco mais para que doa todo dia um pouco menos.
Ignorar ou evitar a todo custo esses momentos não parece ser uma opção, minha mente e o que passeia por ela não é algo que tenho total controle. Eu acho que só me resta tentar bater de frente todo dia um pouco mais para que doa todo dia um pouco menos.

O amor não acaba de um dia para o outro. Você não vai dormir uma noite amando alguém e acorda no outro dia livre desse sentimento, como se ele não existisse mais. É um processo que vai acontecendo aos poucos, não conseguimos prever, mas coisas começam acontecer e até parecem solucionáveis, outras parecem fúteis demais para causar o fim daquilo que você acha que vai durar pra sempre. Geralmente não é um único acontecimento que leva ao fim do amor, mas sim um acumulo de situações tratadas com descaso, um aglomerado de palavras não ditas que em um certo dia vem a tona.
Inicialmente você tenta dar o seu melhor, porque você acredita que vale a pena se esforçar e lutar para manter aquele amor vivo, afinal vocês já passaram por tanta coisa juntos, não é mesmo? Mas de repente você vai deixando de se importar, principalmente se suas tentativas forem em vão ou se há aquela sensação de que só você está dando o seu máximo por aquela relação.
Mesmo quando o amor finalmente acaba, não conseguimos simplesmente deixar de sentir tudo o que sentíamos de um dia para o outro. Recaídas são normais, mas você está sendo trapaceado por você mesmo. Eu vejo o fim do amor como a morte de um ente querido, com dificuldade aceitamos o fato da morte em si, mas sofremos com o luto, não há como traze-lo de volta à vida, mas ainda temos muito pelo o que sentir.
Seja pela a saudade que vem ao recordar momentos agradáveis que vivenciaram juntos, seja pela quebra inesperada da rotina de não ter mais aquela pessoa que costumava estar tão presente na sua vida ou ao lembrar de algum gosto ou mania bem específica dela e que era só dela. Coisas assim, características que são exclusivas da relação entre você e alguém.
Porém com famoso passar do tempo tudo vai ficando mais fácil e de repente não temos muito mais o que sentir. Momentos vivenciados com pessoas diferentes vão ganhando espaço e se acomodando dentro de nós, outras pessoas se tornam especiais e assim de pouco em pouco o luto cede seu lugar a novos sentimentos. Não é como se estivéssemos esquecido daquela história que vivemos, isso nunca vai acontecer, mas simplesmente ela perde sua relevância no nosso dia-a-dia e lembrá-la não causa mais nenhum alvoroço.
Mas é claro, o amor é uma incógnita e atinge de forma diferente e única cada um de nós, essa não é - e nem vai ser - a única interpretação possível, é só a minha visão de como o amor acaba de acordo com alguns amores que morreram na minha vida.

Eu estava vivendo um dos melhores dia da minha vida
Naquele momento eu ainda não sabia
Quando te vi eu percebi como me olhava
Você me quis, eu senti
E no mesmo instante eu correspondi
A gente quase se perdeu, foi por pouco
Torci para você me acompanhar enquanto me afastava
E você o fez
O melhor dia da minha vida e você lá estava
Certo tempo depois nos encontramos
Durante uma tarde toda jogamos conversa fora
E ao anoitecer eu não queria que você fosse embora
Eu te recebi de braços abertos, e pernas também, apesar da timidez
Por um momento considerei sentir mais uma vez
Mas me coloquei no meu lugar
Criei expectativas, eu queria amar
Não causei em você o que você causou em mim
Está tudo bem, você não tinha nenhuma obrigação
Por um tempo imaginei como seria você e eu
Foi bom relembrar o gostinho da paixão
As vezes não é para ser
Mas foi bom te conhecer
Saiba que você é incrível
E aqui te guardo com carinho

Na cozinha da casa que eu moro existem quatro lâmpadas, cada uma disposta em um dos cantos do teto. Uma elas deixou de funcionar. No dia eu percebi de imediato que algo estava errado no momento em que ascendi as luzes, e em poucos segundos eu notei que uma delas não estava ascesa. Aquilo me incomodou, bastante, a ausência da luz daquela lâmpada quebrou o equilíbrio e a harmonia da claridade da cozinha.
Troquei a lâmpada e recuperei a sensação de conforto, a claridade voltou a estar em equilíbrio, tudo estava normal. Alguns dias depois, uma semana no máximo, novamente a mesma lâmpada deixou de funcionar, e instantaneamente eu percebi e voltei a me sentir incomodada. Dessa vez não troquei a lâmpada, pois eu descobri que o problema não era a lâmpada ter queimado, mas sim o conector dela estava com mau contato e solucionar esse problema não é tão simples quanto trocar uma lâmpada queimada.
Somente três lâmpadas claream a cozinha, e isso quebra a harmonia da claridade do ambiente, porém com o passar dos dias eu fui deixando de me sentir incomodada com isso, e passei a conviver com esse problema, passei a aceitá-lo, não sentia mais a necessidade de consertá-lo, primeiro porque iria exigir um pouco mais de esforço e segundo porque a ausência daquela lâmpada deixou de me fazer falta, eu me acostumei a estar na cozinha sem ela.
Depois de algumas semanas sem nem lembrar disso, ontem entrei na cozinha e ascendi as luzes e a primeira coisa que reparei foi que eu não reparava mais nesse problema, mas eu me deparei novamente com ele, percebi que eu não estava mais incomodada com aquilo, apenas sei que preciso arrumar essa lâmpada, mas a verdade é que agora tanto faz.
E foi assim que uma simples lâmpada me fez refletir sobre coisas que um dia me incomodaram, me machucaram, me tiraram horas de sono, até mesmo lágrimas, seja lá o que for, e depois de um tempo tanto faz e tanto fez. Depois de um tempo lidando com isso diáriamente, me acostumei e deixei de me importar, e encontrei outras coisas para dar importância.
Na vida temos muitas lâmpadas que não funcionam.

Eu tenho me surpreendido com o que tenho lido e escutado de pessoas próximas e distantes de mim, alguns elogios e percepções (positivas) que elas tem sobre a minha pessoa e geralmente - se não sempre - eu não enxergava esses aspectos em mim, porém basta eu analisar e refletir por um tempo para eu conseguir me ver dessa forma.
O que deixa claro que existe ainda muita coisa que preciso conhecer e reconhecer em mim, principalmente as coisas boas que eu costumo deixar de lado. Eu acredito que a maioria de nós temos a tendência a ter uma imagem mais negativa sobre nós mesmo do que realmente é, porque não somos imparciais, aplicamos nessa imagem as nossas vontades, nossas cobranças e tudo aquilo que nos incomoda, e o outro consegue olhar e ver sem o peso da nossa consciência.
Ultimamente durante conversas entre meu namorado e eu, sempre que eu consigo externalizar um pensamento, seja sobre mim, sobre a vida ou sobre algum assunto em específico, eu tenho a oportunidade de ouvir a opinião e ver a visão dele sobre o mesmo tema. E ocasionalmente eu tenho a sensação de estar projetando naquilo o peso da minha consciência, distorcendo a imagem de como ela realmente é.
As vezes pode nem ser de fato a imagem real, mas só de conhecer um novo jeito de olhar eu já agrego algum conhecimento, eu já consigo me desprender de coisas que não faziam sentido, muitas vezes guardar aquilo só dentro de mim me machucava, e ao compartilhar eu tenho a sensação de deixar ir.
É sempre prazeroso dialogar, é sempre prazeroso descobrir um novo ângulo de visão que eu desconhecia, as vezes eu descubro que o que me aflinge na verdade é o primeiro passo para solucionar aquela situação, é simplesmente gostoso conhecer novas formas de pensar que são diferentes da minha, porque isso me ajuda a ver as coisas mais perto de como elas realmente são e menos como eu queria que fossem.

De tempos em tempos sou assombrada por dores antigas. Elas se tornaram feridas e ainda não parecem estar muito bem cicatrizadas. Eu não imaginava que eventos tão pequenos poderiam marcar a minha mente por tanto tempo e com tanta intensidade. É como se existisse um cantinho dentro dos meus pensamentos enraizado e reservado para essas dores, eu evito olhar de perto, porém as vezes acontece e só então percebo como ainda sou afetada por aquelas cenas que estão fotografadas em meus olhos.
Geralmente a minha mente me prega peças e me faz visitar esse lugar, é como se eu estivesse esperta e na espera daquilo acontecer de novo, mas fico na torcida pra que não aconteça. É um medo bobo de não querer mais me sentir como já me senti um dia, mas acaba sendo exatamente o que acontece quando percebo estar sabotando a realidade. Sempre que eu faço um passeio por esse canto eu relembro aqueles momentos e sentimentos, como se eu estivesse novamente ali. De que adianta?
Chega a ser irracional, é tão natural que não percebo, e falar em voz alta faz eu me sentir patética, e eu queria que fosse simples assim tirar isso de mim. Queria aceitar as justificativas que já me deram, queria ver com a clareza que alguns veem, queria aceitar os fatos. Queria falar explicitamente sobre isso, agora mesmo, mas é vergonhoso até pra mim, e tudo o que eu fiz foi estar lá na hora errada e no momento errado.
Já cogitei abrir mão de certas coisas para não me expor à possibilidade de reviver esses episódios. Evitar o inevitável, não parece uma boa solução, infelizmente carrego comigo feridas causadas por terceiros e que hoje eu sozinha preciso cuidar e descobrir como cicatriza-las, e o que me conforta é saber que não estou de fato sozinha, porque eu sei que cada um de nós carregam feridas, independente de qual seja a sua, e eu sei que quanto mais o tempo passa, mais fácil fica.

"Nosso amor é ímpar, singular, é dia 29 de fevereiro do ano bissexto, é estar em vários lugares ao mesmo tempo, é um portal pra outros tempos, sonhos e o conforto de ter alguém. Estamos juntos e daqui pra frente a gente vai descobrir a força disso. Meu anjo, me dá o colo mais gostoso do universo. Eu te amo e amo falar de amor pra ti. É como falar de nós para o amor."
Essa foi a declaração mais linda que alguém ja escreveu para mim. Eu sempre lembro dela, queria começar com isso. Você é minha inspiração.
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Nosso amor está em sintonia. Ao te olhar eu consigo ver no seus olhos o mesmo brilho que existe nos meus. Ao te abraçar eu sinto no seu abraço o mesmo calor que nasce dentro do meu peito. Eu consigo sentir o amor em você porque ele também existe em mim, da mesma forma, com a mesma intensidade. Eu vejo a sua empolgação enquanto faz chover declarações de amor e afetos em mim e da mesma forma eu me empolgo quando tento transformar tudo o que sinto em palavras e carinhos, e eu tenho certeza de que você sabe como é se sentir como me sinto.
Por um tempo eu tive medo de você partir, eu convivia com esse medo diariamente, porque as pessoas sempre partiram de mim... mas eu não temo mais, eu sei que você quer ficar, você quer fazer morada e ser moradia, você quer criar raízes, escrever a nossa história, e eu sinto que você está disposto e determinado a tornar tudo realidade, tanto quanto eu estou.
Em todas as vezes que eu demonstrei meu medo você o enfrentou, me confortou e me assegurou apenas demonstrando o amor que existia e crescia dentro de você, e sem eu perceber o medo foi embora e deu lugar a confiança de saber que você estará ao meu lado amanhã de manhã, e depois de amanha, e no próximo dia depois desse, e depois...
Eu encontrei um amor que é maior do que qualquer projeção que um dia eu criei sobre amar, eu encontrei algo único. Você faz eu me sentir orgulhosa de ser quem eu sou, enxerga em mim qualidades onde eu sempre vi defeitos, se interessa em me ouvir falar sobre as ideias malucas que vivem dentro de mim. Você explora meu corpo e alma e sempre tem sede por mais. Você faz porque quer, porque isso te da prazer, porque você ama me ver assim. Eu nunca tive isso.
Estar apaixonada do jeito que estou hoje é não achar palavras para descrever o que sinto, mas estar sempre tentando descrever. Amar alguém como eu amo você hoje é uma luta diária na tentativa de demonstrar quão forte, real e puro é o sentimento que existe em mim, mas me frusto ao perceber que não consigo, simplesmente não encontro uma forma de mostrar quão grande é esse amor, mas eu sempre vou tentar, de todas as formas possíveis, porque eu te amo, e amar deve ser isso

Acordei, meu coração a ninguém pertencia
Era um dia normal como qualquer outro
Mais um encontro, mais uma noite, mais um alguém
Mas... o que está acontecendo?
Duas horas depois e ao te olhar meu coração fervia
Era um dia normal como qualquer outro, e então te conheci
Acordei de coração vazio, mas me deitei com você nele
O encontro
A noite
A pessoa
Você
Hoje, acordo e ao meu lado te vejo
Hoje, acordo e te sinto, te amo, te quero, te beijo
Meu passatempo favorito é te observar ao passar do tempo
Você fica tão lindo enquanto dorme
Enquanto fala, enquanto sorri
Sua pele é macia, faz tão bem à minha
Eu me pertenço, mas me sinto sua, quero ser sua
Sua melhor amiga, sua companheira
O amor da sua vida, sua parceira
Na cama, na vida, na alma
E seja meu
Meu porto seguro, meu aconchego
Meu amor, meu homem
Eu te amo e amo amar você

Eu não sei você, mas eu tenho bagagens dentro de mim que não tenho coragem de compartilhar com alguém. É pesado carrega-las sozinha, mas são minhas, eu as criei e as alimentei por muito tempo, então me vejo na obrigação de suportá-las até que eu descubra como tirá-las daqui.
Essas bagagens são, em sua maioria, sentimentos e pensamentos com quais eu não queria me importar porque são fúteis, são bobagens e insignificantes, não agregam em nada na minha vida, fazem o contrário, subtraem sorrisos e experiências que eu poderia viver se eu conseguisse não me importar com coisas tão pequenas.
Prefiro mante-las aqui dentro, no escuro e no silêncio, prefiro arrumar um jeito de lidar com isso e descobrir sozinha uma forma de deixar essas coisas pra lá. Não há justificativa plausível para a existência desses tais sentimentos, são apenas reflexos do medo e da insegurança que existem em mim.
Sem avisar esses pensamentos me fazem uma visita em momentos e situações aleatórias, cutucam feridas, me fazem enxergar traços da minha personalidade que não me agradam e que estou constantemente tentando evoluir, mas ainda existem aqui e a prova disso é o peso que essas bagagens adicionam ao meu dia.
Não sei dizer o momento exato que elas passaram a existir, eu vejo como um acumulo de coisas que vivi e experimentei ao longo do tempo e que me marcaram. Algumas eu já deixei para trás, porém novas se agruparam nos espaços que ficaram vagos. Acredito que da mesma forma como levou um certo tempo para tudo isso ser formulado, será preciso um bom tempo para desformular, e está tudo bem.
Conseguir falar sobre isso já é um grande passo para mim, quem sabe você que está lendo passe por algo semelhante e quem sabe eu posso estar ajudando a tornar sua bagagem mais leve, assim como a minha ficou, agora que coloquei em palavras o simples fato delas existirem.

Eu descobri a força do amor. Uma força que até então pensava ser inexistente em mim e a descobri por conta do amor.
Eu precisei enfrentar de frente um trauma, o maior dos traumas que eu já vivi até então, para ver bem a pessoa que eu amo. Eu não sabia que eu era capaz, imaginar viver aquela situação outra vez me causava arrepios e bastava muito pouco para eu me transportar para aquele momento novamente.
Porém no segundo em que olhei em seus olhos, no momento em que toquei seu rosto e senti o que você estava sentindo, nada mais fazia sentido, nada era mais importante do que cuidar de você.
Eu sabia por onde teríamos que passar, eu sabia o que isso poderia despertar em mim, mas a minha vontade de te ver bem, o amor que sinto e estou nesse exato momento sentindo exalar em meu peito, foi muito maior e mais forte do que o meu medo.
Enquanto navegávamos pela multidão eu reprimia as sensações que eu sentia pensando no quanto você precisava de mim naquele momento, lembrando de você me dizendo que eu poderia confiar em você e eu sabia que ali você estava confiando em mim. Se você confiou em mim, por que eu mesma não deveria confiar que eu era capaz daquilo?
E foi o que aconteceu. Eu fui capaz. Eu acreditei. E quando eu precisei, você estava lá por mim também e te acariciar era a forma de me trazer paz. Seu colo foi meu refúgio, meu porto seguro, eu sabia que você não ia embora, eu sei que você não vai embora.
A força que senti é minha, existe em mim e agora eu sei, mas ela veio de você, veio do seu amor, pois você acreditou em mim, logo por que eu não acreditaria?

O ano de 2019 está chegando ao fim e comecei a refletir sobre tudo o que vivi ao longo desse ano. Muitas pessoas entraram na minha vida, outras saíram, algumas delas fizeram uma passagem breve de poucas semanas, alguns dias, e até mesmo horas, outras estão presentes até hoje e fizeram morada permanente em mim.
Eu sei que faço parte de alguma história legal (ou não) que alguém tem para contar em alguma rodinha de amigos por ai, assim como existem aqueles e aquelas que fazem parte de lembranças que estarão sempre comigo. Isso não é incrível? Tocar a alma de alguém, ter sua alma tocada, ninguém pode tirar isso de você.
Sinto que esse fluxo de pessoas que vieram e foram, o fluxo de histórias que agora eu também tenho para contar, os momentos que vivi, que compartilhei com quem quer que seja, fazem de mim quem sou hoje e todo dia eu sou alguém novo, de novo. A Eduarda que entrou em 2019 está longe de ser a mesma que vai entrar em 2020 e estou feliz por isso.
Eu comecei o ano me incomodando por não estar onde eu queria estar, por não poder viver o que eu queria viver, e sempre tinha sido assim até então, mas eu permanecia onde estava porque era comôdo e confortável, eu não iria precisar abrir mão de nada e nem de ninguém além de eu mesma e eu conseguia suportar a dor que era abrir mão de minhas vontades, da minha sede de viver, até que um dia que não consegui mais.
Eu decidi ir para onde eu queria ir, viver o que eu sempre quis viver e todas essas experiências me fizeram chegar na pessoa que agora eu sou. E eu não teria feito diferente, eu faria tudo de novo e de novo, porque hoje eu sei que eu não irei mais me diminuir para caber onde estou se onde estou não estiver me servindo mais, hoje eu sei que eu vou sempre partir em busca do que me serve.
Agora eu falo com muita frequência: "Alguns meses atrás eu não era assim", "Alguns meses atrás eu não fazia isso", "Esse ano foi a primeira vez que [...]", e se você me conheceu a partir desse segundo semestre de 2019, provavelmente já deve ter escutado algo parecido de mim. E eu adoro isso.
Eu acredito que o tema para meu ano de 2019 pode ser resumido no trecho de uma música que talvez você que está aqui me lendo conheça: "Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro, ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro", e alguém me apresentou essa música em um momento muito especial, alguém que conheci nesse ano poucos dias depois de eu ter escolhido viver minhas vontades, alguém que hoje faz morada permanente em mim e que eu nunca um dia imaginei conhecer uma pessoa incrível como essa pessoa é.
E é assim que estou fechando esse ano, com muitas pessoas incríveis presentes na minha vida, algumas que já fizeram sua parte e partiram, e posso dizer que estou ansiosa para ver o que acontece agora daqui para frente. E para 2020 eu só tenho um recado: ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro.

O calor dentro do meu peito faz meu coração bater mais rápido
Uma onda gelada percorre meu corpo da cabeça aos pés
Não importa para onde eu esteja olhando, eu consigo te ver
Seu cabelo molhado, seus olhos quase fechados
O sorriso estampado no seu rosto é o mais bonito que eu já vi
Você deslizando lentamente seus dedos nos meus
Minha pele formigava, era quente, mas não queimava
Seu toque me arrepia e eu quero sempre mais
Não sei o que você fez comigo, mas não pare
E na nossa primeira noite minha mão grudou na sua
Estava frio, mas me aqueci ao sentir sua boca tocar a minha
Era como se meu corpo tivesse esperado a vida toda pelo seu
Estava frio, mas me senti numa noite quente de verão
Esqueci onde estávamos, esqueci de tudo ao nosso redor
Eu te queria em mim, eu só queria você
Não tenho vergonha de mim, de ser quem eu sou
Não tenho medo da luz
Fique, quero que você fique
Por favor, não vá embora
Eu quero só você
Eu quero só você

Estava eu procurando uma figurinha específica no whatsapp para enviar para alguém. Eu já vi ela muitas vezes quando eu não queria usá-la, sempre notei ela em meio as demais, mas agora que eu estava a procura DELA, ela não aparecia!!
Ela estava lá, no mesmo lugar, do mesmo jeito, e agora que eu estava a procura exatamente dela eu não a via, ela passou despercebida mesmo eu rolando a página diversas vezes e passando por ela diversas vezes. Eventualmente eu a achei e segui a vida, mas me perguntei quantas outras coisas que eu procuro já estão na minha frente e eu não consigo ver?
Eu já procurei meu óculos com ele em meu rosto, já procurei meu celular com ele na minha mão. O que mais será que eu já tenho, mas mesmo assim procurei por ai? O que mais será que você já tem e procura por ai? Talvez procurar por ai não seja o caminho, as vezes o caminho pode ser aprender a ver o que já temos por aqui.
Dessa vez é só isso.
(Estou escutando "Na sua estante" da Pitty)
Uma pergunta que tenho me feito com muita frequência nas últimas semanas: "O que foi isso?"
Até hoje sempre usada em situações que eu tinha um total de 0 palavras para descrever o que foi aquilo que eu senti, vivi ou pensei. No sentido bom, no melhor dos sentidos. Se eu tiver uma vida cheia de momentos que me farão questionar o que foi isso, acredito que terei uma vida feliz.
Eu estou comendo uvas agora, nesse exato momento e as vezes eu dou a sorte de pegar uma uva bem docinha - com foi essa que acabei de saborear - e outras vezes pego aquelas amargas de amarrar a boca. E a frequência é aleatória, uma hora pego uvas doces em sequencia, outra vez uma doce e duas amargas e também existe o momento que pego somente uvas amargas. E isso me fez pensar que viver é parecido com comer uvas.
Alguns dias estamos felizes, sorridente, e tudo parece estar dando certo, ou simplesmente temos um dia normal, mas muito bom, e do nada chega um dia nublado, um dia meio sem tempero, ou simplesmente um dia muito ruim mesmo e tudo parece estar dando errado. A ordem é aleatória, não conseguimos prever ou evitar os dias ruins, eles apenas existem, o que podemos fazer é lembrar que dias legais sempre chegam também e não esquecer que a ordem é aleatória: dias ruins em sequência podem estar escondendo um dia incrível que está por vir.
E comendo as uvas, depois de pensar tudo isso, eu me perguntei, o que foi isso?
Eita, agora peguei uma uva bem amarga, mas ta tudo bem, muitas doces ainda estão por vir.

Toda vez que te olho
Eu lembro
Te via de longe
Sem compromisso, sem interesse
Ah, como era lindo
Hoje de perto te vejo
Te sinto, te toco, te beijo
Te dou o que de mais puro há em mim
Eu mesma, espontânea, minha essência
Me dou, me doo
Te gosto, te quero, as vezes te espero
Ah, como é lindo
Enquanto houver querer
Parar por que?

O primeiro melhor dia da minha vida foi 21 de setembro de 2019. Desde então eu sou uma nova pessoa, eu durmo melhor, eu acordo feliz e faço tudo com animação, eu renasci. Despertou em mim alguém que dormiu por 21 anos e não pretendo mais tirá-la de cena. Minha alma nunca esteve tão completa e nunca esteve tão plena, eu queria poder fazer você se sentir como me sinto, queria poder levar você comigo a esse outro universo. E quando digo você eu me refiro a você que está lendo, a você que é meu amigo ou minha amiga, a você que eu conheço e você que eu não conheço. Eu queria poder trazer essa sensação a todos vocês.
Cada batida, cada som no seu mínimo detalhe, o conjunto de ruídos na velocidade em que se combinam, as diferentes vibrações e imagens que vejo, imagens que crio e invento, tudo isso chega até mim como uma onda, eu sinto como se fizessem parte de cada célula presente em mim, como se o som, meu corpo e minha alma fossem um único ser.
Me sinto ali, viva, presente naquele momento, sem preocupações, nada mais importa apenas cada segundo daquele momento único. Meus pensamentos estão limpos de qualquer medo, de qualquer problema, não há passado, não há futuro, há apenas o ali e o agora. Meu corpo se move do jeito que meus músculos desejam, não há um passo a seguir, não há uma dança, muito menos coreografia, é apenas o movimento que minha alma me pede, apenas movimentos em sintonia com o som.
0 preconceito, 0 receio, 0 medo, 0 julgamento, não existe padrão, só existe você e sua forma única de ser. Só existe eu e minha forma única de ser, de ser eu mesma, de ser o que eu quiser. Parece que vou explodir, parece que estou sonhando sem precisar dormir.
E depois que acaba... quem disse que acaba? Depois que acaba, continua. Não acabou, é só o começo. O mundo agora é outro, eu agora sou outra, a música continua dentro de mim, a música continua e a dança nunca para.
GRATA, é como me sinto, grata pelas queridas pessoas que me acompanharam nesse dia, pessoas incríveis que conheci no primeiro melhor dia da minha vida e grata por tudo que vivi e senti. A partir de agora minha coleção favorita será a coleção de melhores dias da minha vida, estou pronta para os próximos melhores dias da minha vida, estou pronta.

Tudo o que eu queria era um amor calmo, tudo o que eu queria era mais amor e menos birra, um pouco de carinho, um olhar com sentimentos, intenções boas e palavras doces, queria uma tarde boa jogando cartas, um tempo bom a sós, fazendo nada só sendo nós. Não precisaria de um motivo para termos um tempo bom pra nos divertir fazendo nada, sem ninguém, sem internet, sem mídia, apenas nossa energia em sintonia.
Queria dedicação e esforço mútuo, queria uma troca de bondade, compaixão, ser o que éramos, não está perdido nem é impossível, apenas precisamos estar dispostos e disponíveis. Queria não ter medo de falar o que sinto, o que acho, queria não implorar por sua companhia, afinal nunca precisei, até então era prazeroso e esperavamos ansiosos pelo encontro das seis.
Pelo encontro das seis, sete, oito... nao tinha hora, só precisávamos um do outro. Não diga que sou louca por querer algo que ja tive, nao diga que não existe ou que é utopia, em você eu já vi um olhar que sorria. Seus olhos sorriam ao me ver, ao me escutar, tocar ou pensar em me ter.
Me ter pra sempre ao seu lado, estar pra sempre ao meu. Esse sonho ainda existe, esse sonho ainda é meu. Não acho palavras para dizer o quanto doi te ver diferente, te ver tão distante do que um dia já foi.
Olho pro lado, no lugar que você deveria estar, mas nao vejo você, e com sua ausência me pergunto o porquê. Por que prefere dormir longe de quem tanto queria uma noite para passar ao lado? Por que me deixa sozinha nessa imensidão de espaço quando costumávamos dividir feliz uma cama com metade do tamanho dessa?
O que aconteceu de lá pra cá para que a eu de agora não seja tao interessante? Não aceito justificativas rasas, não aceito culpar a rotina ou o tempo vasto disponível. Rotina só existe se é permitida existir, e nunca haverá tempo o suficiente para conhecer o suficiente uma pessoa. São apenas motivos covardes, são apenas desculpas fracas.
Desculpas fracas para fugir da verdade, a verdade onde os culpados são os protagonistas, o culpado foi a falta de dedicação, a falta de troca, a falta de disposição.
Dói no peito lembrar de quão doce seu beijo era, de quão apaixonado eram seus olhares direcionado para mim, seu toque macio, suas palavras de veludo.
Ainda há tempo de me ter pra sempre ao seu lado, estar pra sempre ao meu. Esse sonho ainda existe, esse sonho ainda é meu.
Escrito em 13 de janeiro de 2019. O tempo passou e esse sonho não existe mais, esse sonho não é mais meu.
Ontem uma pessoa me perguntou o que eu faço da vida e eu sabia que o que ela queria saber era sobre com o que eu trabalho, minha rotina e hobbies, mas eu li isso e comecei a pensar, o que eu faço DA VIDA?
Eu faço muitas coisas da vida, todo dia eu faço algo diferente dela. Eu sei que minha vida teve uma data de início e sei que terá uma data de término, não sei quando, mas essa data existe e enquanto eu estou no meio tempo entre o início e o fim eu tento fazer da vida um parque de diversões.
Me olho, converso comigo mesma para entender e me escutar, saber quais são os meus desejos, meus sonhos e quais são as arestas em mim que preciso polir e talvez reconstruir. Tenho tomado coragem para seguir o que minha alma me pede, tenho tomado coragem para me arriscar, viver com calma sentimentos e vontades que reprimi por muitos anos até então, tenho vivido imaginações que eu não tinha coragem tornar realidade e hoje tenho.
Tem sido muito divertido, basicamente igual uma montanha russa - meu brinquedo favorito em um parque de diversões - com muitas curvas, altos e baixos, quedas que dão aquele delicioso frio na barriga, noto alguns hematomas que você só vê depois que saiu da montanha russa, já aconteceu isso com você? Os hematomas doem e podem ficar roxos, ou até verdes, mas sempre me lembram do momento divertido que tive ao ganhá-los.
Nem sempre é tudo flores, mas quando estou em algum momento nublado eu tento me lembrar que o verão é inevitável. O sol, o calor, sempre aparece e ninguém pode mudar isso. Eu também faço da vida estações.
Fora isso, eu trabalho 8h por dia e estudo quando lembro de estudar, eu escrevo quando alguma coisa no meu dia me faz parar para refletir, igual essa simples pergunta fez. Eu canto do meu jeito, danço do meu jeito, falo sozinha, leio 3 livros em 1 mês e depois fico metade de um ano sem conseguir terminar um livro. Cozinho muito bem uma vez na semana, e nos outros 6 dias eu como qualquer coisa que estiver de fácil acesso.
Antes de escrever esse texto eu fiz essa pergunta à umas 15 pessoas, amigos próximos, amigos distantes e conhecidos e recebi diferentes respostas, a maioria respondeu me dizendo sobre o trabalho, a rotina e hobbies, outros me surpreenderam, mas e você, o que você faz da vida?

Essa semana eu me fiz uma janta diferenciada e escolhi comer somente com garfo. Eu sempre preferi comer com colher, tudo o que eu ia comer na vida, nunca gostei de ter que usar dois talheres - garfo e faca - para comer as coisas, mas já tem alguns anos que me rendi a essa prática. Mas dessa vez eu escolhi somente o garfo.
Eu consegui comer a comida normalmente, eu não precisava cortar nada, só pegar. Conforme meu prato foi ficando vazio eu começei a sentir falta da faca. A faca não serve somente para cortar, ela é um apoio para pegar a comida, e em conjunto com o garfo fazem um trabalho muito bom.
Então chegou um ponto que eu me arrependi de não ter pego uma faca, rs. Mesmo assim não peguei a faca, continuei somente com o garfo e demorei um pouco mais para terminar de comer do que se eu tivesse pego a faca, mas eu comi, talvez ainda melhor por ter comido um pouco mais devagar, uma vez que eu tenho a mania de comer muito rápido e isso não é bom. Quando terminei ainda tinham alguns grãos de arroz no prato, e se eu tivesse usado uma faca eu teria conseguido pegar todos.
E naquele exato momento eu percebi que existem diversos tipos de facas ao longo da vida. Eu não tenho um microondas, mas eu consigo esquentar tudo o que preciso esquentar no forno e no fogão, é um pouco mais trabalhoso e um pouco mais demorado, porém eu vivo bem, talvez até melhor pois a comida fica com a temperatura uniforme e até mesmo mais gostosa por continuar hidratada.
Eu não tenho uma televisão em casa, e eu vivo maravilhosamente bem sem nem lembrar que não tenho uma televisão, tudo o que eu poderia fazer com uma televisão, faço com meu notebook.
Eu já tive um carro e eu vivia muito bem indo e voltando para onde eu queria no tempo que eu queria, hoje eu preciso pegar onibus, mas eu continuo vivendo muito bem, indo e voltando de onde eu quero, até melhor pois economizo bastante dinheiro e não tenho mais a preocupação com toda a burocracia de ter um carro.
Eu não me imaginava viver feliz sozinha, hoje eu moro sozinha e amo estar na minha própria companhia.
Eu não tenho mais pessoas em minha vida que quando eu as tinha não conseguia me imaginar vivendo feliz sem elas, mas hoje eu continuo vivendo muito bem, as vezes até melhor.
A faca facilita muito a minha vida quando vou comer alguma coisa, mas eu consigo viver muito bem sem ela, as vezes até melhor.

