ESTOU DE PASSAGEM

Por Eduarda Oliveira - janeiro 15, 2020

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Eu não sei você, mas eu tenho bagagens dentro de mim que não tenho coragem de compartilhar com alguém. É pesado carrega-las sozinha, mas são minhas, eu as criei e as alimentei por muito tempo, então me vejo na obrigação de suportá-las até que eu descubra como tirá-las daqui.

Essas bagagens são, em sua maioria, sentimentos e pensamentos com quais eu não queria me importar porque são fúteis, são bobagens e insignificantes, não agregam em nada na minha vida, fazem o contrário, subtraem sorrisos e experiências que eu poderia viver se eu conseguisse não me importar com coisas tão pequenas.

Prefiro mante-las aqui dentro, no escuro e no silêncio, prefiro arrumar um jeito de lidar com isso e descobrir sozinha uma forma de deixar essas coisas pra lá. Não há justificativa plausível para a existência desses tais sentimentos, são apenas reflexos do medo e da insegurança que existem em mim.

Sem avisar esses pensamentos me fazem uma visita em momentos e situações aleatórias, cutucam feridas, me fazem enxergar traços da minha personalidade que não me agradam e que estou constantemente tentando evoluir, mas ainda existem aqui e a prova disso é o peso que essas bagagens adicionam ao meu dia.

Não sei dizer o momento exato que elas passaram a existir, eu vejo como um acumulo de coisas que vivi e experimentei ao longo do tempo e que me marcaram. Algumas eu já deixei para trás, porém novas se agruparam nos espaços que ficaram vagos. Acredito que da mesma forma como levou um certo tempo para tudo isso ser formulado, será preciso um bom tempo para desformular, e está tudo bem. 

Conseguir falar sobre isso já é um grande passo para mim, quem sabe você que está lendo passe por algo semelhante e quem sabe eu posso estar ajudando a tornar sua bagagem mais leve, assim como a minha ficou, agora que coloquei em palavras o simples fato delas existirem.

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2 comentários

  1. Muito bom! 👏🏻👏🏻👏🏻

    Adoro seus textos, e o mais bizarro é que me identifico com muitos deles!

    A essas bagagens, o meu antigo psiquiatra deu o nome de "TOC". Mas quanto mais eu vivo, conheço pessoas novas, pessoas fora da minha bolha de existência, descubro que esse tipo de coisa é bem "normal". A única diferença é que aqui no Brasil, estamos acostumados a nos esconder diante de máscaras e esconder coisas tão normais a mente humana.

    Enfim, parabéns pelo texto e pela sua jornada de auto descobrimento! 👏🏻

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